Gasolina sobe pela 5ª semana seguida nos postos; diesel recua

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os preços médios da gasolina nos postos brasileiros subiram pela quinta vez consecutiva nessa última semana. A alta acontece novamente após a Petrobras elevar o preço do seu produto nas refinarias (foram duas alterações para cima em novembro de 2019).

De acordo com a agência, o preço médio da gasolina subiu cerca de 0,3% nos posts brasileiros, chegando a marca de 4,428 reais por cada litro do combustível na média nacional.

A Petrobrás realizou dois ajustes no preço médio da gasolina em suas refinarias em novembro de 2019. O primeiro ajuste foi de 2,8% em 19 de novembro. Já o segundo ajuste aconteceu no dia 27 de novembro e foi de 4% no valor.

Ambos aconteceram depois da empresa ficar 50 dias sem mudar o preço, mas também bem no meio de uma crise internacional que fez com que o dólar avançasse bastante, além do combustível também encarecer no mercado internacional.

Segundo a empresa, é possível que o preço médio nos postos ainda suba mais. Isso porque os ajustes foram de 2% e 4%, mas o crescimento médio ao consumidor foi só de 0,3%. Como a alteração no preço do combustível demora alguns dias para que seja sentida pelo consumidor, é provável que as próximas semanas ainda vejam mudanças no preço da gasolina para ajustar as alterações feitas pela Petrobrás.

Isso acontece porque a mudança no preço médio da gasolina no país depende de uma série de fatores. O valor inicial nas refinarias é um elemento, claro, mas o estoque de combustível dos postos é outro. Por isso, é comum que os postos segurem o combustível que já tem, comprado a preço baixo, para chamar os clientes no momento em que a concorrência sobe o preço.

No entanto, à medida que os estoques vão acabando, os postos vão se reabastecendo com a gasolina mais cara e passam o ajuste para os consumidores. De acordo com especialistas, a perspectiva é que o preço médio continue subindo até o fim do ano.

De acordo com a Petrobrás, a sua política de preços segue as práticas internacionais, usando como princípio básico o da paridade de importação (ou seja, deixar o preço nacional no mesmo nível do internacional). Ou seja: o preço definido pela Petrobrás é a média do mercado internacional mais os custos de importadores (taxas portuárias, transporte de combustível e outros).

Dessa maneira, se o preço do combustível no exterior subir, então a perspectiva é que o preço médio da gasolina aqui no Brasil também se altere para se ajustar ao cenário internacional.

Outros combustíveis também sofreram alterações nos seus preços médios nas bombas brasileiras. O diesel segue praticamente estável, mas registra sua terceira queda seguida (embora seja uma porcentagem muito pequena). O combustível diminuiu 0,05% do seu valor, chegando a 3,708 reais por litro.

Já o etanol, que é um concorrente direto da gasolina e do diesel, subiu 0,8% no seu valor, mas permanece como o combustível mais barato do Brasil, com preço médio de 3,005 reais por litro.

Custo médio de ter um carro segue em ascensão no Brasil

Com essa nova mudança no preço médio do combustível, o custo padrão de se manter um carro no país segue em ascensão.

De 2015 à 2018, por exemplo, o preço médio dos automóveis aumentou 55,9%, um valor considerável se levarmos em conta que o salário do brasileiro diminuiu nesse mesmo período, especialmente se considerada a inflação.

Além disso, considerando que os carros novos se desvalorizam em 33% em seus 2 primeiros anos, o impacto financeiro de comprar um automóvel novo é muito significativo.

Some isso à constante subida nos preços de combustíveis, manutenção, acessórios automotivos, limpeza e reposição de peças, fica cada vez mais pesado financeiramente para “sustentar” um carro no Brasil.

A solução, para muitos, tem sido apostar na ascensão dos carros elétricos e híbridos, que são mais econômicos pelo menos no quesito da gasolina. O Toyota Prius, por exemplo, faz 18,9 quilômetros por litro de gasolina na cidade, enquanto um carro como o Chevrolet Onix, o mais vendido do país, faz 8,6 quilômetros por litro de gasolina na cidade.

Considerando o preço médio de R$4,23 por litro e que o motorista ande 55 quilômetros por dia com o seu automóvel, a diferença de gasto com combustível em um ano é de R$5.382 por ano (o gasto médio de combustível do Onix nesse preço seria de R$9.874 por ano, enquanto o do Prius seria de R$4.492).

Isso considerando um carro híbrido. Os elétricos gastam ainda menos combustível. O Nissan Leaf, por exemplo, tem autonomia de 240 quilômetros e custa apenas R$ 50,00 em energia elétrica para encher sua bateria. No mesmo comparativo que fizemos com o Prius e o Onix, o preço total com combustível do Leaf em um ano seria de R$4.182.